Conheça a cultura do cancelamento

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

06/04 às 22h23
Alessandra Aoqui, Leticia Ferdinando e Thamires Fernandes, especial para Escola de Comunicação

O cancelamento se revela de diversas faces (Foto: Alessandra Aoqui)

A cultura do cancelamento vem sendo muito popular nas redes sociais e consiste em críticas massivas a uma pessoa por conta de um comportamento considerado errado. No caso de artistas, ela pode implicar na perda de público, seguidores, trabalhos, contratos e patrocínios, por exemplo.

O tema passou a ser ainda mais discutido, após episódios que ocorreram na 21ª edição do reality show Big Brother Brasil, uma vez que os participantes chegaram a casa com medo de serem cancelados, porém, logo começaram a praticar o ato uns com os outros, gerando grandes polêmicas nas redes sociais.

Segundo a professora da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste e profissional de marketing, Priscila Guidini, o termo cancelado vem como forma de condenar alguém publicamente por alguma atitude que teve. “Quando a pessoa faz ou posta algo reprovável, o universo da internet sentencia essa pessoa cancelada e ela recebe uma visão negativa”.

Priscila explica que, para os famosos, o cancelamento é um problema muito grande, pois traz diversos prejuízos em suas carreiras. Pelo ponto de vista econômico, ser cancelado mancha a imagem, fazendo com que as pessoas percam seguidores e vínculos com marcas patrocinadoras.

Além disso, também é possível ter a chance de voltar a ser o que era antes do cancelamento. “Um exemplo disso é a Gabriela Pugliesi [influenciadora digital], que no começo da pandemia, há cerca de um ano, postou um vídeo dando uma festa e foi bastante cancelada, mas passou e agora ela está de volta, revertendo essa imagem com outras atitudes”, destaca Priscila.

Outro exemplo bastante recente é o da rapper Karol Conká, que ficou famosa com a música ‘“Tombei’’, em 2014. Ela foi acusada de xenofobia, intolerância religiosa, assédio e violência psicológica, devido às práticas e posicionamentos que teve dentro do Big Brother Brasil. Como consequência de seus atos, Karol saiu do programa com recorde de rejeição pelo público e perdeu grande quantidade de seguidores, bem como contratos e parcerias.

Mudanças no número de seguidores da rapper, Karol Conká (Imagem: via Twitter)

Experiência

“Saber que sempre quero mostrar o melhor que tenho dentro de mim e reconhecer meu caráter é o que realmente importa”, destaca Rafaela (Foto: Cedida/Rafaela Parpinéli)

Dentro deste cenário, nada melhor do que ouvir alguém que passou por isso, não é mesmo?

A influenciadora digital Rafaela Parpinéli trabalha com a internet há dois anos, possui 12 mil seguidores no Instagram e já foi alvo de críticas e cancelamento. O episódio aconteceu após ela realizar uma publicidade em uma clínica de estética. A influencer conta que passou por um procedimento de massagem modeladora no abdômen e após postar o resultado foi atacada por seus seguidores, com diversas ofensas e xingamentos, sendo acusada de influenciar as pessoas para certo padrão de beleza.

“Várias pessoas me enviaram mensagens, desde as mais leves, até as mais pesadas possíveis, falando que iam deixar de me seguir, me bloquear e pedir para outras pessoas pararem de me seguir, pois eu estava com uma cultura de machismo. Foi bem pesado, falaram até que eu estava anoréxica e queria que as pessoas ficassem igual a mim”, lembra Rafaela.

Rafaela diz que, após o ocorrido, ficou por alguns dias pensando em tudo que leu e tendo um conflito interno consigo mesma. Ela relata que faz terapia rotineiramente e foi isso que a ajudou a superar o que aconteceu. “Saber que sempre quero mostrar o melhor que tenho dentro de mim e reconhecer meu caráter, sabendo da minha verdadeira intenção é o que realmente importa”.

“Quando entrei no Masterchef, pessoas que não conheciam a minha história começaram a falar mal de mim e da minha família no Twitter”, revela Fernanda (Foto: Cedida/Fernanda Lee)

Além da Rafaela, a influenciadora e empreendedora Fernanda Lee conta com 41 mil seguidores e também já recebeu diversas críticas nas redes sociais. Ela lembra que o episódio mais marcante foi quando divulgaram que ela estaria no programa Masterchef, na TV Band. “Pessoas que não conheciam a minha história começaram a falar mal de mim e da minha família no Twitter”, revela.

Fernanda diz que de forma geral tenta não se sentir afetada com tudo isso, mas sempre pensa antes de postar ou falar algo na internet. Para ela, o cancelamento também pode ter um lado positivo. “Através dele nós aprendemos que não vamos conseguir agradar a todo mundo”, destaca a influenciadora.

Como lidar com o cancelamento?

Dentro desse universo de cancelamentos, além das perdas materiais, problemas psicológicos e emocionais também podem ser desenvolvidos. A psicóloga Debora Pessinin explica que é quase impossível listar todas as consequências que isso pode gerar, tanto para quem cancela, quanto para quem é cancelado.

Segundo a profissional, a cultura do cancelamento é gerada por uma sociedade adoecida, que utiliza violência verbal, moral ou psicológica com o intuito de gerar na pessoa uma reflexão a respeito de um comportamento ou pensamento que pode ser considerado inadequado. “Revela um repertório de respostas muito inflexível, ou seja, as pessoas não estão sabendo resolver seus problemas de forma saudável”, explica.

Debora pontua que cancelar alguém e gerar prejuízos significativos remete à ideia de que se possui poder para mudar essa pessoa pela força, quando na realidade o melhor a se fazer, sempre, é o diálogo. “Vivemos em uma sociedade onde as respostas para os problemas e as frustrações se resumem no uso da violência, o que jamais será a melhor forma para resolvermos nossas diferenças e ideais”, comenta.

O melhor caminho para a recuperação emocional, de acordo com a psicóloga, pode ser a psicoterapia, que para algumas abordagens têm como principal objetivo o autoconhecimento, ela destaca que quando você se reconhece de forma integral, talvez as críticas destrutivas não deem margem para dúvidas que podem desgastar a saúde mental.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Portal FACOPP | Faculdade de Comunicação Social "Jornalista Roberto Marinho" de Presidente Prudente | © 2019 Todos os direitos reservados.