Documentário discute práticas jornalísticas e veracidade da informação

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17/05/2019 às 10:00 
Ana Deak, Bianca Móra, Jennifer Figueiredo, Pâmela Bugatti e Sibeli Santos

Divulgação

Documentário traz depoimentos de importantes jornalistas brasileiros sobre a prática da profissão e mudanças na forma de consumir notícias

A relação do jornalista com a fonte; como a política e a imprensa caminham juntas; como funciona a manipulação de informação e o quanto de certeza deve ter um jornalista para acusar alguém, são apenas alguns pontos abordados no documentário “O Mercado de Notícias”.
 
“É um dos documentários mais recentes sobre jornalismo e nos leva a refletir mesmo essa questão: Será que a notícia é só uma mercadoria? A gente tem que ter a criticidade, o senso, provocar, contribuir para a democracia. Ajudar as pessoas a entenderem o que está acontecendo”, explica a jornalista e docente Giselle Tomé.
 
A produção, criada pelo diretor Jorge Furtado, é baseada na peça “O Mercado de Notícias” de Ben Jonson, de 1625. Composta por trechos da peça, ela é intercalada com relatos de importantes jornalistas brasileiros sobre questões da profissão.
 
Com 1h34 de duração, o longa-metragem lançado em 2014 conta com opiniões e depoimentos de jornalistas renomados, como Mino Carta, José Roberto de Toledo, Geneton Moraes Neto, Paulo Moreira Leite, Janio de Freitas, Fernando Rodrigues, Leandro Fortes, Renata Lo Prete, Bob Fernandes, Luis Nassif, Raimundo Pereira, Maurício Dias e Cristiana Lobo.
 
Apesar de tratar de temas polêmicos, o documentário não é contra o Jornalismo, ele apenas mostra a realidade e faz com que o espectador analise questões importantes sobre a profissão.
 
“A peça é voltada pela leitura irônica e de uma crítica muito ácida ao fato de naquele momento a informação ter se transformado numa mercadoria”, menciona a jornalista Renata Lo Prete no próprio documentário.
 
Além disso, o documentário aborda casos reais como a bolinha de papel que foi lançada no candidato José Serra durante as eleições de 2010 e do falso quadro de Pablo Picasso no INSS, caso que foi comentado nos veículos de comunicação. Também abordam alguns pontos da relação com a fonte, a posição do jornal diante dos fatos, a publicidade oficial e a revolução do jornalismo.
 
A PROFISSÃO
 
A obra traz uma reflexão de que fazer Jornalismo é contribuir para que as pessoas compreendam melhor a sociedade em que elas vivem.
 
Isso se torna possível a partir do momento que o profissional passa a ouvir, ver e contar os fatos, da forma mais fiel e atraente possível, dando estrutura, organização e sentido para a informação. Mas isso nem sempre acontece.
 
Para a jornalista Renata Lo Prete: “o jornalista vê, escuta e conta. E se não enxergar com atenção e escutar de fato. Contar fica muito difícil.” Transmitir a informação sem ter a certeza da veracidade dela, pode causar ruídos.
 
Esse é o momento em que a política e a imprensa passam a revelar suas relações mais sombrias, o que levanta um questionamento: até que ponto a mídia é controlada pelo poder político? Ainda mais nas últimas décadas, com tamanha evolução dos meios de comunicação e a capacidade de veicular informações em massa na web.
 
Os desencontros da imprensa, as dúvidas sobre a qualidade da informação, os interesses por trás do Jornalismo e o quanto tudo pode influenciar na formação da opinião pública, são as principais questões que direcionam o documentário.
 
Os cuidados que o profissional precisa ter para se fazer um bom Jornalismo, nem sempre são fáceis, mas deve ser construído de forma cuidadosa.
 
 “É contar de maneira mais fiel e mais atraente possível, o que você viu e ouviu. Eu acho que até mesmo poucas profissões comportam uma definição tão simples quanto a do jornalista”, acredita o jornalista Geneton Moraes Neto.
 
DAR VIDA AOS FATOS
 
De acordo com o documentário: “o jornalista garimpa o que é importante”, filtra o que é informação e sabe o que é diferente do ponto de vista. Por isso, a história sempre tem dois lados. E toda história deve ser a resposta de uma pergunta.
 
Os questionamentos mencionados pelos jornalistas que se destacam no decorrer do documentário estão discriminados abaixo:

  • Millôr Fernandes:“Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Para Giselle Tomé, “o jornalismo mesmo é a essência da apuração, de investigar, de levantar as informações”.
  • Historiador britânico Arnold Toynbee, sobre a cobertura política: “Quem não gosta de política está condenado a ser governado por quem gosta”. “A política, economia, muitas coisas são moldadas e feitas através delas. Então se você não gosta, não quer saber, não procura se informar, não está por dentro, você sempre vai ser governado por quem gosta. Por isso a importância de se manter informado”, explica a docente.

A PEÇA

Pila Júnior, herda uma herança milionária após a morte de seu pai e com a fortuna, decide comprar uma agência de notícias.

A trama se passe em Londres, em 19625 e marca o início da imprensa. Quando há uma verdadeira mudança na forma de produzir e veicular informações, que antes, eram apenas histórias de viajantes e barbeiros.

Para quem gosta da área da comunicação e em especial o Jornalismo, vale a pena tirar um tempinho para assistir este documentário que, além de muito interessante, dá dicas de como ser um bom jornalista com um olhar mais crítico sobre a profissão.

Se você ficou curioso e quer assistir o documentário, acesse aqui e curta “O Mercado de Notícias”.

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