Documentário Framing Britney Spears levanta discussão sobre influência da mídia na carreira da cantora

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07/06/21 às 11h30
Carlos Migotto, Claudia Borges e Ramon Diniz, especial para Escola de Comunicação

Lançado em fevereiro de 2021 no canal britânico Sky Documentaries, a produção Framing Britney Spears tornou-se a mais assistida da história da emissora em apenas uma exibição (Foto: Reprodução/The New York Times Presents)

It’s Britney, b*tch!”. A icônica frase de Britney Spears surgiu na música “Gimme More”, de 2007, como forma de mostrar ao mundo que a cantora estava retornando aos holofotes mais sexy do que nunca. Porém, será que algum dia ela realmente se viu longe das câmeras e revistas de fofoca? Esse é o questionamento que o documentário Framing Britney Spears faz durante seus 74 minutos de duração. Lançado em fevereiro de 2021 e produzido pelo renomado The New York Times, o audiovisual aborda como a mídia tem influenciado – e até mesmo prejudicado – a carreira da cantora conhecida como a “princesa do pop”.

Em entrevista ao site MetroPlus, Samantha Stark, diretora do documentário, afirma que a produção foi idealizada para corrigir os registros passados e contextualizar as histórias reais da vida de Britney Spears. Ela diz ainda que não imaginava tamanha repercussão. “Eu não tinha ideia de que o Framing Britney Spears teria uma reação tão grande. Porém, fico feliz dela ser positiva. Esse é o impacto que queríamos. Fazer com que as pessoas olhassem para a história […] e se desculpassem”. 

Para quem não se lembra dos acontecimentos passados na vida da cantora, aqui vai uma breve recapitulação: após duas gravidezes seguidas em 2005 e 2006, Britney entrou em processo de divórcio com o dançarino Kevin Federline e pôs um fim ao casamento de pouco mais de dois anos. Diante de uma nova fase em sua vida pessoal, a cantora foi constantemente flagrada em festas com personalidades como Paris Hilton e Lindsay Lohan, o que abriu espaço para especulações em tabloides do mundo todo. Após perseguições de paparazzis, notícias sensacionalistas e internações em clínicas de reabilitação, Jamie Spears, pai da cantora, foi ao tribunal em 2008 e conseguiu a tutela da filha, assistência essa que permanece até os dias de hoje.

O retorno aos palcos da Princesa do Pop após problemas com a mídia foi marcado por uma apresentação peculiar no Video Music Awards de 2007. A apresentação, taxada de desastrosa por tabloides internacionais, trazia uma Britney robotizada e sob efeito de álcool (Foto: Reprodução/MTV)

A CONSTRUÇÃO DA MISS AMERICAN DREAM

Eu sou a Miss Sonho Americano desde os dezessete anos / Não importa se eu entrar em cena ou fugir para as Filipinas / Eles ainda vão colocar minhas fotos na capa da revista / Você quer um pedaço de mim?, questiona Spears nos segundos iniciais da música “Piece Of Me”, lançada após ataques da mídia em 2007 – confira o clipe abaixo.

Assim como muitos outros fenômenos da cultura pop, a carreira de Britney foi edificada por meio de propagandas e produtos de divulgação em massa, questão também abordada pelo documentário. O resultado de tamanho marketing foi a criação da persona mais querida dos anos 2000 pelos estadunidenses. Porém, como o sonho americano tornou-se um pesado em tão pouco tempo?

Segundo o publicitário e criador de conteúdo, Claudio Araújo, 22, ao mesmo tempo que a publicidade agregou valor à imagem da cantora, também manipulou a persona em nome do entretenimento. “A publicidade criou o alter ego Britney Spears e isso foi muito bom. Gerou grandes números, contratos e fez com que uma geração crescesse querendo ser ela. Entretanto, a gente sabe que a área trabalha com a manipulação quando lhe convém. Quando a Britney deixou de ser tão rentável quanto era, a mídia logo pensou em uma maneira de desassociar sua imagem”, defende.

Claudio ainda opina que, apesar da carreira de Spears estar totalmente ligada à publicidade, o erro da mídia foi não dar o apoio necessário no momento em que a celebridade mais precisou. “A Britney foi literalmente um ato histórico e totalmente fresh para aquele momento. Não é à toa que caiu em tendência. Mas eu vejo que em certo ponto a mídia perdeu o foco ‘Britney Spears’ e acabou sendo uma das principais responsáveis pelos problemas de saúde mental da cantora”.

O MOVIMENTO #FREEBRITNEY

Trazendo a narrativa para os dias atuais, o documentário mostra como a mídia tem influenciado, agora positivamente, a vida pessoal e profissional de Britney Spears. Um dos pontos apresentados é a grande visibilidade do movimento #FreeBritney nas redes sociais, uma campanha criada por fãs que reivindica a liberdade da cantora, hoje tutorada por seu próprio pai. Esse, inclusive, é um dos principais fatores que levaram o The New York Times a produzir o documentário.

Fãs de Britney Spears se reúnem próximo ao tribunal onde o processo de tutela era julgado e fazem reivindicações em prol do movimento #FreeBritney (Foto: Kristin Robinson/Variety)

Melissa Andrade, estudante do 7º termo de Jornalismo da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste, assistiu ao audiovisual e compartilhou algumas de suas impressões sobre o movimento em prol do bem-estar da cantora. “Ele [documentário] foi extremamente necessário para trazer à tona essa perspectiva que muitos não enxergavam sobre a vida da Britney, até mesmo eu. Acredito que tenha alcançado sim o objetivo de viabilizar a situação da cantora”, opina.

Quando questionada sobre qual abordagem da produção mais havia chamado sua atenção, a graduanda respondeu com clareza: “a questão dos fotógrafos, sem dúvidas. A Britney sempre tratou bem todos os que fotografavam e pediam entrevistas. Mas chegou um momento onde a pressão foi tão grande que ela se desgastou, não tendo um espaço para viver tranquilamente. Essas situações dizem muito sobre as coisas ruins que ela passou”.

Até o fechamento desta matéria, notícias da imprensa internacional afirmavam o desejo de Britney em se dirigir diretamente ao tribunal no caso de sua tutela. Eternizada como um grande ícone da música pop, Spears pode contar com o apoio de diversas personalidades a favor de sua liberdade, como, por exemplo, a atriz Sarah Jessica Parker e a vocalista da banda Paramore, Hayley Williams. E claro, de seus amados e leais fãs.

O que você acha do processo de tutela da cantora? Participe da enquete no Instagram da Escola de Comunicação e deixe registrada a sua opinião.

No Brasil, o documentário “Framing Britney Spears” está disponível para streaming na plataforma Globoplay. 

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