Fotolivro digital de vida após as grades é defendido

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10/12/2019 às 16:13
Daniel Alvarez e Junior Lessa

Aprovados, os membros do grupo posam com o orientador e os membros da banca (Foto: Felipe Piquione)

Com o objetivo de entender o que leva pessoas a cometerem delitos, o grupo composto por Heitor Pedroso Alves da Silva, Helena Pellim, Virginia Faustino Cruz e Wellington José Pelegrino Costa produziu o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) “Homem na estrada: fotodocumentação da vida após as grades”, sob a orientação dos professores Luiz Dale Vedove e Maria Luisa Hoffmann.

A obra, composta por fotografias documentais e textos de perfil, retrata como é a vida de pessoas que passaram pelo sistema carcerário brasileiro, assim como os motivos que os colocaram na situação de confinamento. Para isso, os formandos precisaram ir atrás de personagens que aceitassem relatar suas vivências desde a infância até o período que vivem atualmente.

Para a produção do fotolivro foram feitas entrevistas com os ex-detentos, familiares e pessoas próximas a eles. Segundo Helena, apesar de definirem um roteiro único, alguns dos personagens se abriram facilmente, outros levavam mais tempo. Esse fato resultou em uma média de cinco entrevistas com cada um deles. “Não nos prendemos ao roteiro, deixamos a história que eles contavam nos guiar”, explica.

Entre homens e mulheres, cerca de 20 personagens foram contatados pelos graduandos, porém apenas cinco deles foram efetivamente inseridos no fotolivro. Uma das dificuldades enfrentadas pelo grupo foi justamente essa, a desistência por parte dos entrevistados. Heitor explica que somente os ex-detentos em condições mais favoráveis, já inseridos na sociedade, aceitavam participar.

Por lidarem com preconceitos sociais diariamente, os personagens não se sentiam tão à vontade para expor suas vidas. “Houve uma dificuldade de encontrar personagens que estivessem dispostos a participar, isso devido à forma com que eles geralmente são recebidos pelas pessoas, a questão do preconceito contra ex-presidiários”, relata Heitor.

Outra dificuldade encontrada pelo grupo foi na utilização dos equipamentos para a produção das fotografias, o que chegou a prejudicar um pouco o cronograma. Apesar disso, eles conseguiram se adequar e produzir as fotos a tempo. Para melhor se encaixar no tema, os alunos optaram por utilizar o elemento de edição preto e branco, além de fotografarem em vários enquadramentos para não ficar apenas na fotografia de retrato.

O produto final será disponibilizado em formato online, em site de domínio próprio. Wellington explica que a escolha se deve principalmente ao fácil acesso que essa plataforma online oferece ao público. A divulgação do lançamento será feita pelo Instagram homemnaestradatcc.

OS PERSONAGENS

Marcelo, Itamar, Jurandir, Fabiano e André, esses são os nomes dos protagonistas que possibilitaram a finalização do fotolivro. Dos cinco, apenas Jurandir não está reinserido no mercado de trabalho, fato curioso, já que vai contra ao que se revela na pesquisa teórica. Mas isso foi explicado pelo grupo, eles contam que apenas ex-detentos já inseridos socialmente se sentiam à vontade o suficiente para ceder as entrevistas.

Outro fato observado pelos formandos foi a ressocialização dos ex-presidiários, que está ligada à família, amigos e grupos de apoio, nunca com políticas públicas ou ações do estado.

PARECER DA BANCA

Presentes na banca estavam os professores Roberto Mancuzo, como presidente, Thomas Aguilera como membro e Luiz Dale Vedove, como orientador. Mancuzo elogiou o grupo quanto ao entendimento da fotodocumentação, que é muito mais do que somente uma sequência de fotos sobre um determinado tema.

O presidente pontuou também a estética do livro e questionou aos estudantes qual foi a estética trabalhada por eles. Heitor explicou a vontade do grupo em trabalhar a diagramação de uma forma em que não ficasse limitada somente às imagens, mas que houvesse uma complementação entre o texto perfil e as fotografias.

Em sua fala, Thomas Aguilera deu destaque para a quantidade de fotos capturadas pelos estudantes. No total foram 1100 fotografias, dessas apenas 55 foram selecionadas para fazer parte da obra final. O docente enfatizou também a persistência dos membros do grupo, que apesar dos contratempos não desistiram.

“O grupo foi muito persistente nesse projeto. Eles tiveram várias dificuldades no desenvolver da produção da peça prática principalmente, mas eles conseguiram entregar. Então eu acho que a entrega foi uma entrega muito plausível e fez jus ao que eles apresentaram desde o início”, aponta Thomas.

Persistência também elogiada pelo orientador Luiz Dale Vedove, que avalia o resultado final do trabalho como extremamente satisfatório. O docente conta que o trabalho atende plenamente os requisitos para aprovação dos TCCs da Facopp, que sempre são levados a sério e resultam em trabalhos de alto nível.

APROVADOS

Após o parecer final da banca chegou a hora tão esperada pelos formandos. Com alegria, a aprovação do grupo foi anunciada e os quatro membros deixaram de ser estudantes de jornalismo para se tornarem verdadeiros profissionais.

Para Virginia, o sentimento ao ser aprovada é de alívio. Com planos para o futuro, ela conta que quer continuar seguindo a área social. “Pretendo fazer alguma especialização aqui ou fora e me manter nessa área que aborda o social”.

A mãe de Heitor, Maria Celina Pedroso Alves, 54, geógrafa, estava presente na defesa do trabalho. Ela foi um dos pontos chaves na escolha do tema do grupo, isso porque já trabalhou por mais de 10 anos no sistema penitenciário e deu muito suporte ao grupo.

Maria Celina conta que se sente orgulhosa ao ver o filho onde está e por ter contribuído de certa forma para a escolha de um tema tão importante socialmente. Sobre a formação do filho, ela brinca que o desafio começa agora. “Na verdade, fazer a faculdade é o mais fácil. O mais difícil é entrar no mercado, por ser uma área bastante competitiva. Mas ele tem a bagagem necessária que a universidade ofereceu com as experiências nos laboratórios”, avalia.

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