Jornalista explica maneiras de utilizar dados como fonte de informação

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12/09/2018 às 00:22 – Atualizado em: 12/09/2018 às 08:51 
Bianca Móra, Larissa Biassoti e Victor Gomes

Amanda Rodrigues

André Rosa, doutor, professor universitário e jornalista,  foi a atração desta terça-feira (11/09) na segunda noite da 9ª Jornada de Comunicação da Facopp, em que falou sobre o Jornalismo de dados, explicando mais sobre o assunto e dando algumas dicas.

No início da palestra, André diz que não se considera um jornalista investigativo, pois, apesar de trabalhar com a busca de informações que as vezes não são disponibilizadas facilmente, acredita que a profissão tem como objetivo contar boas histórias. “O que muda é a maneira de contá-las”, explica se referindo às área do jornalismo. 

“A gente está acostumado a contar histórias utilizando as fontes rotineiras, como entrevista e pesquisa documental, mas eu consigo criar um mosaico infinito de uma pauta, de uma história, tendo um milhão de possibilidades por meio do cruzamento de dados. É uma das coisas mais incríveis desde que a gente entenda o que a gente quer com isso”, afirma o jornalista.

Por mais que jornalismo de dados seja algo bastante comentado atualmente, ele já existe há muito tempo, mais precisamente desde o século XIX, no ano de 1858 em que foi feito uma infografia. Hoje com o advento da internet, a maneira de fazer tornou mais fácil e acessível, o que antes era feito artesanalmente.

Para se conseguir dados varia muito entre o que você quer e precisa, mas existem plataformas e algumas outras formas que podem nos oferecer isso. “As bases de dados externas é uma delas. O Google, por exemplo, lançou recentemente uma busca específica para base de dados. Com isso, as portas começam se abrir para deixar o trabalho mais simples, assim como profissionais passam pouco a pouco a disponibilizar essas informações para qualquer usuário ler e utilizar.” 

André também ressalta a importância dos portais de dados abertos dos órgãos públicos, porém são um dos maiores desafios dos jornalistas para conseguirem os dados que precisam, já que para encontrar o que busca nos portais da transparência por meio da lei de acesso a informação é preciso pentelhar, mesmo que no sentido positivo da palavra. Para ele, é uma questão de não se conformar, perguntar mais uma vez, ir para outros lugares, pedir mais dados se necessário, para assim desenvolver o trabalho, o que exige uma dedicação árdua.

“A terceira saída para se ter dados é fazer a sua própria coleção. Tenha seu próprio sistema de organização e dados. Se você tem alguma paixão e gosta desse universo, por que não colecionar tabelas com essas informações? Eu mesmo comecei montar uma base de dados com todos os jogos da histórias das Copas, a minha missão era atualizar durante a copa, ainda falta finalizar, mas eu queria testar outras formatos de relacionamento desses dados, disponibilizar para download, para as pessoas usarem, porque é um assunto legal para mim. E ainda é um exercício, porque preciso saber quais colunas vou usar, qual tipo de filtragem e tudo o mais. Tem muita gente que faz coleções e vendem, dá para ganhar dinheiro com os dados encontrados”, conta André.  

Para conseguir contar uma história a partir dos dados e de fácil acesso para o público, primeiro é preciso coletá-los, depois filtrar toda informação obtida. Rosa ressalta que não é porque há diversos números disponíveis que se deve usar todos, eles devem se relacionar da forma correta. Para isso, é preciso ter a habilidade de entrevistar os dados como qualquer outra fonte, estabelecendo uma comunicação efetiva para que, no fim, não se torne confuso. 

“Feito é melhor que perfeito”, finalizou André. Para o jornalista, existem diversas possibilidades nos dados, há neles informações que precisam ser exploradas e é necessário testar o máximo possível, não focando somente no resultado final.

PERCEPÇÕES

A coordenadora de Jornalismo, Carolina Mancuzo, acredita que, no futuro, o profissional que entenda sobre jornalismo de dados terá um destaque e poderá conquistar com facilidade um espaço no trabalho afora. “Não dá para eu imaginar ser jornalista e falar que não gosta de números. É imprescindível que eu associe isso, será um diferencial profissional quem souber lidar com diversos dados. O mercado busca isso”, afirma.

Caroline Luz, 6º termo de Jornalismo, comenta que o jornalista que tenha um domínio dos dados terá um destaque a mais na vida profissional e que no futuro isso será mais cobrado nas vagas de emprego. “Querendo ou não o jornalismo é trabalhar com números de alguma maneira. Não só receber os números, mas também ir atrás deles. Então o jornalista que sabe encontrar essas informações, trabalhar elas de uma maneira positiva, de modo que agregue a sociedade, fará muita diferença. É uma das tantas especializações de tantas oportunidades dentro da profissão que a gente tem e que com o tempo isso vai sendo mais cobrado”.

Já Gabrielle Muchoz, 3º termo de Publicidade e Propaganda, acredita que o jornalismo de dados é de grande ajuda na criação de campanhas publicitarias. “O jornalismo de dados ajuda bastante a gente ter o feedback das campanhas que fizeram sucesso e que agradaram o público e as que não agradam. Ajuda bastante para a gente colher as informações para ter uma campanha de sucesso”.

A 9ª Jornada da Comunicação continua amanhã (12/09) com Fernanda Batistella, o tema da palestra será Marketing e relacionamento com o consumidor. Não perca!

E não se esqueça de avaliar a 9ª Jornada de Comunicação. Isso irá ajudar a Facopp a melhorar os próximos eventos.

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