Livro retrata a influência de Berta Lúcia na religiosidade regional

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18/12/2017 às 08:00 – Atualizado em: 20/12/2017 às 14:02 
Beatriz Duarte

Jhenifer Rodrigues

Berta Lúcia é conhecida como a santa prudentina e possui o túmulo mais visitado do cemitério São João Batista

Inspirados pela grande influência regional que a história de Berta Lúcia exerce na fé das pessoas, os alunos Amanda Caroline Monteira, Ana Caroline Nezi, André Esteves, Daniel Lucena, Itamar Batista e Tainá Cassiana apresentaram na quinta-feira (14/12), no Auditório Carvalho, o Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “Livro- Reportagem: A influência de Berta- Lúcia na religiosidade popular”.
 
Conhecida como a santa Prudentina, Berta Lúcia começou sua história ainda longe do oeste paulista, nasceu em terras mineiras, na cidade de Cataguases no dia 15 de novembro de 1939. Em busca de melhores condições de vida, muda-se para a região com a família. Aos quatro anos, com uma estrela de curta vida, faleceu em 16 de fevereiro de 1944. Filha de Ana Fonseca, benzedeira da região, a mãe passou a lhe atribuir a responsabilidade das pequenas curas que realizava.
 
Um milagre aqui e outro ali, a fama de Berta Lúcia disseminou-se por toda a região e assim se perpetua por mais de seis décadas, sendo o túmulo mais visitado do cemitério São João Batista. Com o intuito de discutir por meio de um livro-reportagem aliado à uma técnica que une o jornalismo convencional ao literário, o trabalho propõe uma reflexão do poder da crença popular na vida das pessoas.
 
Com uma abordagem qualitativa, uma vez que o objeto de estudo é a fé dos indivíduos, algo intangível, o livro- reportagem é contado a partir dos relatos dos devotos de Berta, personagens principais da história. Para o desenvolvimento foi utilizado a entrevista em profundidade com 19 pessoas incluindo especialistas, o levantamento de dados foi feito em veículos como O Imparcial e o Oeste Notícias.
 
Segundo Itamar Batista, o grupo optou por contar a história da Berta Lúcia pelo meio que mais representasse a equipe. “O livro-reportagem oferece um aprofundamento maior, possui o poder de contextualizar e conversar com a arte na diagramação, não queríamos pensar em videodocumentário ou em rádio, então ele caiu como uma luva”, comenta.
 
Dos entrevistados, nove personagens foram escolhidos para terem seus relatos perfilados no livro. De acordo com a integrante, Ana Caroline Nezi trabalhar com o perfil possibilitou o uso do texto literário, um dos objetivos do grupo. O intuito era apresentar ao público mais sobre quem eram esses devotos e a intercessão sofrida. Já os critérios de escolha foram de acordo com a relevância das histórias, como a seguidora Luisa de Souza, que após ter o pedido de uma promessa cumprida, todos os anos guarda os dias de finados para se vestir de preto em memória de Berta Lúcia.
 
O livro
 
Em sua composição, o livro é divido em três partes. A primeira intitulada “O fenômeno”, uma biografia com a história de Berta, desde seu nascimento até sua morte. “Devotos” é a segunda parte composta pelos personagens e os relatos de eventos com a intercessão de Berta Lúcia. Para encerrar, “A repercussão” retrata como a mídia impressa foi patrocinadora da fé por meio das notícias veiculada juntos com os seguidores da santa.
 
Pensado da narrativa ao design, a história de 117 páginas de textos e fotos possui um formado de tamanho A4 que remete a um caderno infantil. As cores da capa, azul e rosa, referem-se à imaginação e santidade e a os objetos predominantes presentes na capela de Berta Lúcia, assim como a imagem destaque, produzida em aquarela que demonstra a sutileza da infância.
 
Considerações
 
Elogiados pela temática e também questionados sobre o medo durante o processo de produção, o docente Wagner Caetano, presente na banca junto com a professora Fabiana Alves e Tchiago Inague, orientador do grupo, destacou a importância do trabalho para a cultura da cidade e para o aprendizado dos alunos. Já Fabiana ressaltou o poder da observação exercida pela equipe.
 
Como pontos positivos do grupo, Tchiago Inague destaca a dedicação, competência e força de vontade para trabalhar com um tema complexo. “A abordagem de um assunto metafísico, como é a fé e a religiosidade, necessita de um bom direcionamento para não se perder no caminho e produzir um conteúdo vago. Eles fizeram isso muito bem, a sociedade prudentina ganha cem por cento com esse trabalho”.
 
Marlene Moreira dos Santos, mãe de Itamar Batista, esteve presente para homenagear o filho após quatro anos. “É uma alegria que não dá para explicar. Sempre o acompanhei, principalmente neste último ano, que eu levava ele para fazer as entrevistas do TCC. Foi uma correria para ele e para mim”. Como conselho, Marlene espera que o filho nunca deixe de ser sério e generoso para conseguir vencer todas as dificuldades da vida.
 
Sobre o aprendizado adquirido com o trabalho, Itamar Batista acredita que proporcionou uma nova forma de se pensar em jornalismo. “Com os anos da faculdade, a gente acaba ficando mecanizado e perdendo a sensibilidade da prática da profissão. Fazer esse tipo de trabalho, onde lidamos com as emoções das pessoas, é importante porque reaviva aquela chama do primeiro termo de buscar o diferente”, finaliza.

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