Manipulação da fotografia acontece da pré a pós-produção

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13/03/2019 às 21:14 
Pâmela Bugatti, Camila Araujo e Pedro Silva

Camila Araujo

Aluno em atividade prática do curso de Fotografia mostra que toda imagem possui algum tipo de manipulação

 

Você já se perguntou o que é manipulação de imagem? Para que ela serve? Como ela é feita por um profissional? Quando ela surgiu? Ela é algo bom, ou ruim? São muitas duvidas, mas calma, o Portal Facopp vai responder cada uma delas.
 
Quando se pensa em manipulação da imagem, muitas vezes não se imagina que a manipulação acontece a todo o momento, seja antes, durante ou depois da produção da imagem.
 
Dentro de um universo da fotografia, a manipulação pode acontecer de duas formas: na pré-produção, com a escolha do lugar, escolha do que será e como será fotografado. E também na pós-produção, quando se podem alterar níveis de cor, contraste, etc.
 
Quando se pensa sobre tudo isso de manipulação de imagem, logo se pensa que isso é algo extremamente atual, que nasceu com a fotografia digital. Quem pensa assim, está muito enganado! A prática de manipular uma imagem vem desde os primórdios quando se utilizavam a pintura para retratar imagens de si mesmo e dos ambientes que gostariam de descrever.
 
Para o professor da Facopp, Rubens Cardia Neto, a questão da produção imagética é decorrente do renascimento, pois foi o momento em que houve a necessidade de acumular um pouco mais de riqueza, entretanto isso não cabia somente aos nobres, mas sim a classe burguesa.
 
O professor explica que para eles, ter um ganho social incluía reconhecimento por meio do dinheiro, em virtude disto, eles contratavam retratistas para que os pintassem, de forma planejada. Ou seja, o pintor era pago para enaltecer alguns aspectos da burguesia. Um exemplo claro dessa ostentação dos burgueses eram as pinturas de banquetes, mostrando que diferente da classe mais pobre da população europeia, eles usufruíram de vastas refeições. Até hoje, a prática de retratar uma refeição é feita nas redes sociais, com uma facilidade muito maior, mas ainda com o propósito de ostentar o alimento.
 
“De forma ampla, a pintura era feita conforme a pessoa idealizava. Então, de maneira geral, todas as fotografias de retrato, sendo selfies ou não, têm relação. Roland Barthes em ‘Câmera Clara’ explica que fazer o retrato, tem relação com a forma que a pessoa se idealiza.”Ou seja, manipular a imagem não se trata somente do tom da foto ou um simples ajuste. “Tem gente que aluga, paga uma diária de um hotel caríssimo e troca de roupa seis vezes, e tira fotos em todos os lugares para parecer que está há uma semana lá. Então, isso é uma manipulação da imagem no contexto da informação. Fora isso, depois ela vai fazer a manipulação na pós-produção, como se fosse uma questão de uma maquiagem. O fato de você fazer uma maquiagem, você já está fazendo uma manipulação na produção, para como as pessoas querem te ver”, exemplifica Rubens.
 
Já na pós-produção, as pessoas contam com os programas de tratamentos de imagem, ou até mesmo uma simples colocação dos filtros disponíveis até no Instagram. Mas antes de terem essas facilidades de hoje, antigamente levava-se horas em um laboratório e era necessário o domínio das técnicas de revelação.
 
“O digital só facilitou o que já existia. Hoje encontramos a possibilidade de corrigir muitas imperfeições a partir de filtros, mas o que a gente fazia na época que não tinha Photoshop? Maquiagem, iluminação e a forma como regulava a câmera. Então isso tudo já eliminava certas imperfeições, dado que não havia a possibilidade de fazer isso na pós-produção”, diz Rubens.
 
Manipuladas ou não? 
 
Uma pergunta muito recorrente nas discussões atuais, é se dá para saber se uma imagem foi ou não manipulada. Rubens explica que sim, é possível saber se uma imagem foi manipulada.
 
“Se eu fotografar em RAW, que é um arquivo de linguagem de imagem da câmera, e depois eu fizer um ajuste de contraste e tonalidade, através do software dedicado, a possibilidade de eu reconhecer isso é muito baixa se eu não tiver um programa que vá fazer a leitura dessa modificação. Visualmente não dá para perceber. O que eu sei é, que se eu faço essa modificação nesse arquivo, ele não terá uma mudança, propriamente dita. Eu vou ter a criação de um segundo arquivo que vai criar essa modificação, ok? Só que esse arquivo não é um arquivo de imagem”, explica.
 
“Porém, quando eu fotografo em JPEG, ou eu pego uma imagem JPEG ou GIF, que são arquivos fotográficos, toda vez que eu faço uma modificação, ela vai ficar no mínimo registrada. Além disso, ampliar a imagem ao ponto de conseguir ver os pixels dá para perceber uma vez que vai dando contraste entre pixels, ou seja, quadradinhos”, completa Rubens.
 
Ética e moral
 
Uma discussão muito grande dentro do assunto da manipulação de imagens, é se elas são legais, morais ou éticas. Levando em conta a manipulação como um tratamento da imagem, para melhorar os níveis de cores e luminosidade, Rubens não vê problema, a não ser que seja uma imagem fotojornalística, pois essa deve passar a visão, o recorte da realidade que o profissional resolveu capturar. Se uma foto jornalística passa por modificações, quem garante que ela é real? Por isso, fotos jornalísticas adulteradas podem desde desclassificar um fotógrafo em concurso, até destruir a credibilidade de um jornal inteiro.
 
 
Já as fotos publicitárias, são em suma, praticamente todas montadas, para a quebra de barreiras dos consumidores. Então, as fotos publicitárias devem ser manipuladas, mas com respeito e cuidado, não deixando brechas ao ridículo, o que pode retirar a confiança da agência afetada, ou acarretar problemas judiciais, ao vender um produto que é totalmente diferente do anunciado, finaliza o professor.

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