Temas sociais e novas tecnologias são temas do 5º Colóquio de Comunicação e Educação

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19/11/2020 às 13h56
Izabelly Fernandes

Projetos de intervenção de educomunicação envolveram mais de 150 pessoas em sete cidades da região. (Foto: Camila Araújo)

E a noite dessa quarta-feira (18) foi marcada por muita emoção e aprendizado nas apresentações de projetos intervenção do 5º Colóquio de Comunicação e Educação. Essa experiência é resultado da disciplina de Comunicação e Educação que é ministrada no 8º termo de Jornalismo e rendeu frutos em 19 projetos individuais baseados nas teorias da educomunicação e da mídia-educação. Envolvendo mais de 150 pessoas da região, as propostas foram realizadas de forma remota, com uso de ferramentas como o Google Meet e StreamYard, e também com encontros presenciais. Durante o Colóquio, transmitido pelo canal do YouTube da TV Facopp Online, os alunos puderam apresentar ao vivo os resultados dos trabalhos realizados.

Com temas bastante diversificados, foram produzidas oficinas envolvendo: vídeo, fotografia, rádio, redes sociais, blog, revista digital e ferramentas interativas on-line de educação e gamificação. Além disso, os estudantes puderam atingir um público bastante diversificado, envolvendo crianças, adolescentes e adultos com idade entre 5 e 56 anos. Ao todo foram sete cidades de realização, como: Álvares Machado, Bastos, Bataguassu (MS), Martinópolis, Pirapozinho, Presidente Prudente, distrito de Floresta do Sul e Presidente Venceslau.  

A professora da disciplina e supervisora dos projetos de intervenção, Thaisa Sallum Bacco, diz que estas experiências mostraram a importância da prática jornalística com responsabilidade social. “Estou cada vez mais convencida sobre quanto o jornalista pode ser um sujeito que contribui para a sociedade em diversas áreas, principalmente na educação, quando ele atua em favor da valorização da democracia”, reflete.

Mulheres em pauta

A valorização do corpo feminino foi tema explorado em três projetos apresentados na noite. O primeiro foi realizado pela aluna Bruna Bonfim, com o título: “Meu Corpo em Pauta (de novo?)”: produção de storytelling sobre a influência da mídia no padrão de beleza feminino. A jovem conta que sempre quis falar com o público feminino e surgiu a ideia de promover oficinas que proporcionassem discussões sobre o estereótipo de beleza da mulher, além de apresentar técnicas de narrativas de storytelling.  A oficina contou com três encontros e teve um público de 11 participantes de 16 a 22 anos.

“Tive que elaborar e refletir muito bem os assuntos que seriam abordados, já que as adolescentes estão em fase de crescimento pessoal e físico. Por isso, foi muito importante falar com esse público justamente por estarem suscetíveis a influência negativa desses padrões a respeito dos seus corpos e, até mesmo, estarem sujeitos a desenvolverem algumas doenças por conta disso”, conta. Bruna conta que ficou muito contente com o desempenho dos participantes e se surpreendeu com o autoconhecimento que os adolescentes desempenharam no audiovisual final produzido por eles.

O Projeto Curvilínea: o uso da fotografia como ferramenta educomunicativa para a ressiginicação de corpos midi e plus-size na sociedade também foi um tema feminino escolhido pela aluna Camila Araújo. A oficina foi resumida em três encontros presenciais, com cinco participantes de 18 a 30 anos. A ideia surgiu quando a jovem acompanhou o 4º Colóquio de Comunicação e Educação, realizado no ano passado, e se inspirou em um projeto em que fazia o uso da fotografia para enaltecer mulheres pretas e quis adaptá-lo em outro modelo. “A falta de representatividade da mulher gorda existe e, por isso, eu quis usar a educomunicação para transformar algo que prejudica tanto a autoestima dessas mulheres”, explica.  

Ela diz que o tema é importante de ser discutido, pois é necessário chamar a atenção para mulheres que perdem o emprego por conta da gordofobia e sofrem humilhações em ambientes públicos, já que cada vez mais a mídia impõe que o normal é ser magro. “Com isso, a fotografia vem com o poder de registrar e também mostrar a realidade como um retrato do social, além de falar sobre o que afeta essas mulheres e trazem distúrbios comportamentais. Eu acho que isso acaba preservando as próximas gerações e funcionando como um antídoto para essas dores”, reflete.

E, por fim, a autoestima feminina também foi pauta do projeto da aluna Pâmela Bugatti, intitulado como: O uso da educomunicação na prática de selfies para o empoderamento de mulheres da Cooperlix. A jovem quis abordar a renovação da autoestima de mulheres da Cooperativa de Trabalhadores de Produtos Recicláveis de Presidente Prudente, por meio de uma oficina de fotografia no modelo de selfie. De acordo com ela, o projeto foi importante, pois no dia a dia as cooperadas acabam se esquecendo delas mesmas devido às cicatrizes da vida ou até são alvo de humilhações por conta do trabalho que fazem.

“Eu quis que elas se sentissem amadas novamente, que elas enxergassem a beleza em si mesma e reconhecessem seu próprio valor”, explica. Pâmela realizou quatro encontros presenciais na cooperativa e contou com a participação de 27 mulheres. “Foi muito emocionante realizar esse projeto, foi um crescimento pessoal. Eu aprendi muito e tenho certeza que passei muito de mim para elas assim como elas para mim”, declara.

Novas formas de ensino

Adentrando o campo educacional, muitos projetos foram embasados no uso das mídias dentro da sala de aula ou como forma complementar de ensino. Esse é o caso do aluno Pedro Silva, que produziu o projeto: Videoaulas como ferramenta de ensino a distância na área da comunicação sobre fotografia e fotojornalismo: uma proposta de mediação tecnológica com o viés da educomunicação. Ele conta que, depois de vários dias pensando sobre o que fazer no projeto de intervenção, teve uma orientação da professora Thaisa, que indicou a teoria do uso do audiovisual na educação. “Aí tudo se encaixou, eu decidi fazer uma série de videoaulas, voltadas para área que eu mais amo da comunicação, que é a fotografia”, explica.

Ele admite que esse trabalho talvez tenha sido um dos mais difíceis de serem elaborados, mas que, em contrapartida, foi o mais gratificante e o que mais sentiu prazer em produzir. “Eu me apaixonei por educação e já era apaixonado por fotografia. Com essa oportunidade eu pude juntar as duas coisas. Para minha formação, foi o divisor máximo de águas, já que depois que entrei em contato com as maneiras de educar, eu entendi que posso fazer isso de diversas formas”, acrescenta.

Já a aluna Sibeli Santos optou por realizar uma oficina sobre uma ferramenta interativa on-line de educação e gamificação, o Kahoot!. O projeto tem como título: Uso do Kahoot! na escola: experiência mídia-educativa na formação docente na rede pública do distrito de Floresta do Sul (SP). Ela contou com a presença de quatro docentes na oficina, entre 25 e 49 anos, e durante quatro encontros remotos explicou como o uso das mídias nas atividades pedagógicas podem contribuir para criatividade e capacidade dos alunos. A aluna, que conheceu o Kahoot! no curso de inglês, acreditou que a ferramenta pudesse auxiliar os docentes no processo de ensino, indo além dos recursos tradicionais. “Principalmente na pandemia, as ferramentas interativas on-line são muito importantes e o Kahoot! possui jogos de aprendizagens e quizes que podem auxiliar alunos e professores”, explica.

A Sibeli já foi aluna da escola em que aplicou a oficina e diz que foi um grande privilégio poder ensinar os docentes que fizeram parte da infância dela. “Durante todo o projeto fui muito bem acolhida por elas, o que me deixou mais confortável e confiante a cada encontro. A experiência foi sensacional e os resultados foram ótimos! Elas entenderam perfeitamente o objetivo do projeto e desenvolveram muito bem os jogos na plataforma trabalhada”, acrescenta.

E também de maneira totalmente remota, o aluno Luan Buzzo produziu uma revista digital com a comunidade escolar da rede pública de ensino. Com o projeto intitulado como Revista i-Educar: produção educomunicativa digital de alunos, professores e funcionários da rede estadual de ensino de Presidente Prudente (SP). Ele é funcionário da escola e por isso afirma que foi fácil saber qual mídia seria mais interessante para a instituição. Como os quatro encontros a distância, ele também percebeu que a revista digital seria ideal para o modelo de reunião.  Além disso, a oficina contou com 14 participantes, entre 14 e 56 anos, e teve o uso do Google Meet e do Whatsapp.

“Tive a oportunidade de conhecer mais uma área do jornalismo, a comunicação com a educação, e sinceramente é uma área apaixonante. O resultado final foi muito bom. O público-alvo mostrou muito interesse e isso causa muita satisfação. Profissionalmente, pude aperfeiçoar algo que tinha muita habilidade, que é a parte da diagramação. Como dizem, tive que aprender na marra, mas o importante é que deu tudo certo”, conclui.

Resultados

A professora Thaisa diz ter sido uma noite memorável e acrescenta que a cada turma os projetos se superam. Para ela, os trabalhos foram muito criativos e, principalmente, tiveram uma relevância social em diversos meios, com diferentes públicos em diversas localidades.  “Os projetos me encheram de orgulho. Muitos me emocionaram e muitos me ajudaram a manter essa certeza do quão importante é promover a educação e sobre a importância do jornalista atuar nesse espaço”, finaliza.

Ficou curioso para conferir esses projetos, clique aqui para conferir toda a transmissão.
E confira mais alguns registros do 5º Colóquio de Comunicação e Educação !

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