Todo dia ela faz tudo sempre igual

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

23/03/2018 às 16:55 – Atualizado em: 23/03/2018 às 17:46 
Larissa Biassoti

Agência Facopp

Acordo, mas não sei se fico mais uns minutos na cama, sempre essa sina. Acho melhor não, em plena sexta-feira o professor não atrasa para a aula e perdê-la está fora de cogitação, então o jeito é comer algo. 

Costumo abrir as janelas, porque dependendo do tempo que faz, o meu dia e o meu humor ficam diferente, ainda bem que hoje o céu resolveu colaborar, o azul predomina e o sol brilha forte.

Na mesa, eu nunca sei o que escolher: café para acabar com o meu sono? Ou o leite com achocolatado docinho? Se o céu estivesse cinza, com certeza seria um chá.  Fico com o café, senão não há quem aguente essa rotina. 

Os minutos passam e ao menos eu deixei a minha roupa arrumada do dia anterior, agora só preciso ir para o eterno vestibular, este as pessoas costumam chamar de faculdade.

Eu pensei que quando eu começasse fazer o que eu escolhi, no caso, a comunicação social, tudo ficaria mais claro, mas me parece que ainda continuo decidindo, que raios será que eu farei na minha vida?

São tantas áreas, tantas possibilidades, que não sei se eu serei capaz de conseguir um emprego. O que eu posso fazer no momento, é tentar passar por todos os estágios possíveis, vai que eu me apaixono por algo em específico, apesar de que paixão hoje em dia não é uma coisa tão legal assim.

No começo eu me questionava ainda mais do que hoje, as cobranças eram tantas que, olha, não sei como dei conta.

Caminho em direção da saída e da entrada, direi adeus à universidade e receberei boas vindas em qualquer outro lugar.

Por que tudo tem que ser tão paradoxal? A minha cabeça de jovem já vive em conflito, estou todo o tempo indecisa, a minha rotina é a materialização dessa confusão, que querendo ou não, preciso saber levá-la.  

Certo, eu preciso me concentrar no conteúdo da aula, esses pensamentos não ajudam, e para piorar, estou interpretando contos. Tem algo mais subjetivo e questionável que eles?

Mas e depois que essa aula terminar? E agora, José? A festa acabou a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? Como estudar Drummond e não se lembrar desse poema… Hoje é o dia.

Finalmente acabei. Como é bom ter a capacidade de discutir e escrever de maneira crítica, defender o que pensa mesmo que seja diante a um texto.

Se fosse há três anos, talvez eu nem estivesse aqui, brigando comigo mesma, questionando sobre o comodismo da rotina, antes eu era confortada e isso me assusta.

Vou embora. Percebo que apesar desse incômodo diário, essa vida ainda me encanta, mas eu não fico com esse sentimento com as grandes conquistas, as pequenas, as que passam despercebidas, são as melhores.

Eu acordo, tenho o que comer e com quem conversar. Busco conhecimento e não tenho barreiras para consegui-lo. Eu acerto e erro, eu sei que isso é natural! É assim que se aprende e não tem problema mudar ideia, descobri isso com pessoas diferentes que me somam. Eu retorno, o meu conforto continua ali.

Amanhã, às 6h30, como de costume eu vou trocar de roupa, mas dessa vez vai ser da alma.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Portal FACOPP | Faculdade de Comunicação Social "Jornalista Roberto Marinho" de Presidente Prudente | © 2019 Todos os direitos reservados.