Agressões a profissionais da imprensa geram indignação

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05/06/2020 às 12:00
Izabelly Fernandes e Noemi do Prado

Fotógrafo Dida Sampaio foi um dos agredidos durante uma manifestação (Foto: Ueslei Marcelino/ Reuters)

Não é novidade que a imprensa brasileira tem passado por dias pesados. Com a pandemia do Covid-19, além de enfrentar o momento crítico na linha de frente para poder levar informações de utilidade pública para população, jornalistas ainda enfrentam situações de ofensas e agressões em pleno período de trabalho.  Exemplo disso é o fato que ocorreu no dia 3 de maio em Brasília, quando o fotógrafo Dida Sampaio e outros membros da equipe do jornal O Estado de S.Paulo foram agredidos com socos, chutes e empurrões, enquanto cobriam uma manifestação pró-governo de Jair Bolsonaro. Noticiar e alertar a população virou trabalho negativo diante da percepção de uma parcela da sociedade.

A dúvida evidente dentre esses profissionais é: até que ponto isso chegará? Como seria possível reagir de forma pacifica diante destas situações? Como se posicionar diante desta “desvalorização” da profissão? Para o professor da disciplina de Legislação e Ética no Jornalismo e de Direito no Jornalismo, Tchiago Inague, “todo ato de violência a profissionais na área da comunicação social é um ato também, que de certa forma ofende até a própria construção de sociedade”. Ele ressalta que no Artigo V e inciso nono da Constituição Federal de 1988, a liberdade de expressão é garantida e tentar anular esse direito pode ser considerado censura.

Tchiago ainda diz que é importante pensarmos que todos têm acesso e direito à informação e que a agressão aos jornalistas representa uma forma de cercear e limitar esse direito. “Quem possui esta função informar a sociedade de modo constante e profissional, é o jornalista. Quando o objetivo é limitar o direito à informação, essa é a camada atacada”, ressalta.

Em relação ao fato que ocorreu com os jornalistas do Estadão, o professor explica que autoridades competentes pediram uma investigação sobre essas agressões e que as pessoas que as cometeram fossem punidas, para que isso não gere uma impunidade seguida pela sensação de que esta prática pode ser repetida. “Vivemos em uma sociedade onde existe liberdade de imprensa, partindo deste pressuposto ocorre uma pluralidade de pensamentos. É isso que nos fortalece democraticamente, há possibilidades de termos diversos pensamentos, pontos de vistas”, conclui.

OPINIÃO

Para o professor doutor, Roberto Mancuzo, o bom jornalismo é aquele que incomoda. Ele ainda explica que “em governos que são autoritários e que não podem, esperam ou desejam que haja qualquer tipo de cobrança sobre suas atitudes, o jornalismo se torna um inimigo”.

Mancuzo ainda observa que há uma necessidade de que esse tipo de governo possa trabalhar da maneira que bem entender, sem que ninguém diga o que está certo ou errado. “Normalmente governos autoritários não estão comprometidos com a democracia e atuam dessa forma. A página dois do manual desse tipo de governo é sempre atacar a imprensa de uma maneira muito vil e covarde”, explica.

Em entrevista ao Portal Facopp, o aluno do 7º termo do curso de Jornalismo, João Victor Coutinho, conta como se sente sabendo que terá que enfrentar tais desafios na profissão quando se formar. “Críticas construtivas são sempre bem aceitas. A minha profissão vale-se da objetividade, da responsabilidade e principalmente do senso crítico. Onde estaríamos se não fosse o poder crítico dos nossos jornalistas?”, comenta.

João diz que os jornalistas vêm se posicionando cada vez mais, que é onde surgem as principais investigações que correm hoje no país. “A minha perspectiva é viver de um jornalismo mais profundo, mais investigativo e que haja cada vez mais responsabilidade social”, almeja.

Já o advogado, Marcelo Cezário, explica que a violência deve ser repudiada em qualquer contexto e em qualquer situação e que a democracia se caracteriza pelo debate de ideias, não de forças. “Todos que violam a lei, qualquer lei, devem responder pelos seus atos.” Já o professor, Roberto Mancuzo, conclui: “é fundamental que esses ataques não fiquem somente como nota de repúdio, pois isso não minimiza a pressão e o trauma que o jornalista sofre após a agressão”.

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