Religião x Ciência: é possível ter conciliação entre elas?

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28/04/21 às 17h33
Alessandra Aoqui, Leticia Ferdinando e Thamires Fernandes, especial para Escola de Comunicação

Ciência e religião podem não se excluir mutuamente (Arte: Alessandra Aoqui)

Ciência e fé não são conceitos excludentes, pelo contrário, pode-se dizer que estão interligados e que são complementares. Há vários séculos, essa questão vem ocupando lugar tanto nos espaços acadêmicos científicos como nas conferências religiosas. Teólogos, filósofos e cientistas têm se debatido no sentido de encontrar uma relação mais respeitosa e dialógica entre esses dois sistemas que, inegavelmente, influenciam a sociedade. 

O professor de Filosofia da Escola de Comunicação da Unoeste, Wagner Aparecido Caetano, diz que a fé e a religião não se excluem mutuamente, ou seja, é possível ser cientista e religioso e vice-versa. No entanto, o professor deixa claro que não se pode confundir a finalidade de cada uma delas. 

“A fé tem suas finalidades específicas e elas estão muito relacionadas com a nossa projeção de uma vida pós-morte. Enquanto a ciência, ela trabalha para preservar a nossa vida enquanto viva”, explica Wagner.

Assim como a literatura, a música e todas as artes, a religião e a ciência também são importantes construções da cultura humana que, por elaborarem respostas diferentes para algumas das mesmas questões postas pela humanidade, acabam resultando em situações conflituosas no dia a dia.

Especialista no assunto

Segundo Wagner, as pessoas dizem que a ciência e a fé são incompatíveis porque elas olham para um pragmatismo, uma verdade comprovada. Ele relata que a fé é crença, cultura, em que usa outras ferramentas que não são as mesmas que a ciência utiliza. 

Além disso, ele expõe que não vê problema nenhum em ser religioso e sustentar uma visão de mundo compatível com a ciência. 

“Eu até me considero uma pessoa religiosa, acredito em Deus, e ao mesmo tempo me encanta, eu gosto, pesquiso e vivo a todo o momento as provocações da ciência e acho isso maravilhoso”, garante Wagner (Foto: Cedida/Wagner Caetano)

“Acho compatível e necessário, até porque nós, seres humanos, não somos só, no primeiro momento, uma relação de causa e efeito sustentada pura e plena pela lógica e pela racionalidade. Existem outras coisas que nos ajudam a ser o que somos”, afirma.

Entendendo dentro da psicologia

O psicólogo Avair Guilherme acredita que as religiões atuais são baseadas em textos e histórias antigas, nas quais o homem não tinha capacidade de observação e nem de mensuração diante do universo. Diante disso, ele acaba desenvolvendo um pensamento mágico que muitas vezes não condiz com a realidade.

“Hoje vemos, por exemplo, na Assembléia Legislativa a tentativa de aprovar leis que liberem o funcionamento de cultos religiosos em plena pandemia, sendo que sabemos que a maior forma de contágio é o contato entre as pessoas, mas mesmo assim eles insistem para que se abram as igrejas, permitam os cultos religiosos, então já vemos desde aí esse embate’’, afirma Avair.

De acordo com Avair, é como se anos de estudos científicos e a opinião de pessoas especialistas não valessem perante um fundamentalismo em sistemas mágicos e religiosos, em que não se tem nenhuma comprovação de que realmente a pessoa possa estar protegida. 

“A ciência é a história mais bonita que o homem já contou para o mundo e para si mesmo, pois ela passa por evoluções constantes onde é possível criar novas hipóteses de como o mundo funciona. Já a narrativa religiosa parte de uma história mitológica, onde ela se fixa em um determinado tempo e período”, explica.

“O homem desenvolve pensamentos mágicos que muitas vezes não condiz com a nossa realidade”, destaca Avair. (Foto: Cedida/Avair Guilherme)

Limites entre a fé e a ciência?

A aluna do 7º termo de Jornalismo, Giovanna Guessada, é cristã e mostrou um pouco do seu ponto de vista a respeito do assunto. Ela acredita que a rivalidade que muitos adotam entre a fé e a ciência é algo sem fundamento em alguns aspectos. A estudante relata que já participou de debates a respeito desse tema dentro da sala de aula e acha isso necessário, desde que haja respeito de todas as partes e opiniões.

“A rivalidade que muitos adotam entre a fé e a ciência é algo sem fundamento em alguns aspectos”, opina Giovanna. (Foto: Cedida/Giovanna Guessada)

“Quando você lê a bíblia encontra diversas revelações que mais tarde acabaram sendo confirmadas pela ciência, então eu não acho que elas são rivais, mas sim complemento uma da outra. Vale ressaltar que esse complemento tem alguns limites, nem tudo o que a ciência propaga vai ao encontro do que a fé prega”, destaca a estudante.

Giovanna pontua que mesmo tendo a consciência de que muitas coisas que já estavam escritas na bíblia, a ciência chegou para comprovar depois, com pesquisas e ferramentas tecnológicas, também é necessário entender que nem tudo o que é defendido pela ciência converge com as crenças religiosas. “Existem algumas coisas que a ciência defende que eu não concordo, de acordo com a minha fé”.

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